Deus existe, mas ao mesmo tempo Deus não existe.
O Universo é governado pelo acaso irracional e ao
mesmo tempo por uma providência com preocupações
éticas . O sofrimento é gratuito e sem sentido, mas
também valioso e necessário. O Universo é um sádico
imbecil, mas também, simultaneamente, o mais
benevolente dos pais. Tudo é rigidamente
predeterminado, porém o arbítrio é perfeitamente
livre. O que é certo é que não há fuga da angústia e
da razão.
(ALDOUS HUXLEY)
HERA E ZEUS
JOHN DELVILLE
quinta-feira, 17 de julho de 2008
O NOVO E O VELHO
Em nossa cultura predomina a crença de que o novo é sempre superior ao
velho. Disso se segue que o filho se acha superior ao pai, que juventude é
melhor que experiência. Que a tradição é somente o peso morto do passado.
Existem culturas, como a oriental por exemplo, onde prevalecem outros
valores,
onde o passado e a tradição são reverenciados. Nessas culturas, onde a
experiência é reconhecida e aproveitada, o desenvolvimento é mais rápido,
porque
as novas gerações prosseguem do ponto em que pararam as anteriores.
Em culturas como a nossa, o progresso obtido pára no meio do caminho,
porque
os jovens querem começar do zero. Em consequência, o caminho nunca se
completa e os valores se dissolvem, as referências são abandonadas e o
que se observa é algo próximo o caos.
YEDRA
velho. Disso se segue que o filho se acha superior ao pai, que juventude é
melhor que experiência. Que a tradição é somente o peso morto do passado.
Existem culturas, como a oriental por exemplo, onde prevalecem outros
valores,
onde o passado e a tradição são reverenciados. Nessas culturas, onde a
experiência é reconhecida e aproveitada, o desenvolvimento é mais rápido,
porque
as novas gerações prosseguem do ponto em que pararam as anteriores.
Em culturas como a nossa, o progresso obtido pára no meio do caminho,
porque
os jovens querem começar do zero. Em consequência, o caminho nunca se
completa e os valores se dissolvem, as referências são abandonadas e o
que se observa é algo próximo o caos.
YEDRA
FERNANDO PESSOA
A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre
entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver.
Somos contentes porque até ao pensar e ao sentir, somos capazes
de não acreditar na existência da alma. No baile de máscaras que
vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no baile é tudo. Somos
servos das luzes e das cores, vamos na dança como na verdade,
nem há para nós – salvo se, desertos, não dançamos – conhecimento
do grande frio do alto da noite externa, do corpo mortal por baixo
dos trapos que lhe sobrevivem, de tudo quanto, a sós, julgamos que
é essencialmente nós, mas afinal não é senão a paródia íntima da
verdade do que nos supomos. Se alguma coisa há que esta vida tem
para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses,
é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhercermos a nós
mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros. A alma humana é
um abismo obscuro e viscoso, um poço que se não usa na superfície do
mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e
assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual,
morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda
bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda
que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo.
FERNANDO PESSOA
entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver.
Somos contentes porque até ao pensar e ao sentir, somos capazes
de não acreditar na existência da alma. No baile de máscaras que
vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no baile é tudo. Somos
servos das luzes e das cores, vamos na dança como na verdade,
nem há para nós – salvo se, desertos, não dançamos – conhecimento
do grande frio do alto da noite externa, do corpo mortal por baixo
dos trapos que lhe sobrevivem, de tudo quanto, a sós, julgamos que
é essencialmente nós, mas afinal não é senão a paródia íntima da
verdade do que nos supomos. Se alguma coisa há que esta vida tem
para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses,
é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhercermos a nós
mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros. A alma humana é
um abismo obscuro e viscoso, um poço que se não usa na superfície do
mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e
assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual,
morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda
bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda
que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo.
FERNANDO PESSOA
MARCEL PROUST
Somente pela arte podemos sair de nós mesmos,
saber o que enxerga
outra pessoa desse universo que não é igual ao nosso,
e cujas paisagens permaneceriam tão ignoradas de nós
como as por acaso existentes na lua.
Graças à arte, em vez de ver um mundo, o nosso, nós o vemos
multiplicar-se,
e dispomos de tantos mundos quantos forem os artistas originais,
mais diferentes
uns dos outros do que aqueles que rolam pelo Infinito e que,
muitos séculos depois
de se haver extinto o núcleo de onde provêm, chame-se este
Rembrandt ou Vermeer, ainda nos enviam seus raios especiais.
Marcel Proust - Em busca do Tempo Perdido
saber o que enxerga
outra pessoa desse universo que não é igual ao nosso,
e cujas paisagens permaneceriam tão ignoradas de nós
como as por acaso existentes na lua.
Graças à arte, em vez de ver um mundo, o nosso, nós o vemos
multiplicar-se,
e dispomos de tantos mundos quantos forem os artistas originais,
mais diferentes
uns dos outros do que aqueles que rolam pelo Infinito e que,
muitos séculos depois
de se haver extinto o núcleo de onde provêm, chame-se este
Rembrandt ou Vermeer, ainda nos enviam seus raios especiais.
Marcel Proust - Em busca do Tempo Perdido
sexta-feira, 4 de julho de 2008
ERICH FROMM
A atividade produtiva denota o estado de atividade
íntima; não tem necessariamente conexão com a
criação de alguma coisa "útil". A produtividade é
uma tendência de caráter de que todos nós somos
capazes, na medida em que não sejamos
emocionalmente inválidos. As pessoas produtivas
dão alma a tudo o que tocam. Dão nascimento a
sua próprias faculdades e dão vida a outras
pessoas e as coisas. Atividade no sentido de mero
atarefamento, é movimento alienado, é na verdade,
passividade.
ERICH FROMM
íntima; não tem necessariamente conexão com a
criação de alguma coisa "útil". A produtividade é
uma tendência de caráter de que todos nós somos
capazes, na medida em que não sejamos
emocionalmente inválidos. As pessoas produtivas
dão alma a tudo o que tocam. Dão nascimento a
sua próprias faculdades e dão vida a outras
pessoas e as coisas. Atividade no sentido de mero
atarefamento, é movimento alienado, é na verdade,
passividade.
ERICH FROMM
VARGAS LLOSA
As grandes obras artísticas produzem um desassossego
exaltado e uma espécie de perplexidade feliz.
Em todos os ramos da criação artística, a
genialidade é uma anomalia inexplicável para as
armas da inteligência e da razão, mas na poesia é
ainda mais, um dom estranho, quase inumano,
para o qual parece inevitável recorrer a esses
horríveis adjetivos tão maltratados: milagroso,
transcendente, divino.
VARGAS LLOSA
exaltado e uma espécie de perplexidade feliz.
Em todos os ramos da criação artística, a
genialidade é uma anomalia inexplicável para as
armas da inteligência e da razão, mas na poesia é
ainda mais, um dom estranho, quase inumano,
para o qual parece inevitável recorrer a esses
horríveis adjetivos tão maltratados: milagroso,
transcendente, divino.
VARGAS LLOSA
TOCQUEVILLE
Os homens são, em geral, nem muito bons, nem muito
maus; são medíocres. Há duas pessoas em cada homem,
e se é infantil ver apenas uma, é totalmente triste e injusto
ver apenas a outra.
O homem com seus vícios, suas fraquezas, suas virtudes,
sua confusa mistura de bem e de mal, de baixezas e
elevações, de honestidade e depravação, é ainda, no
todo, o mais digno objeto de investigação, de interesse,
de compaixão, de afeição e de admiração, que se pode
encontrar na Terra.
Como não temos anjos, não podemos apegar-nos a
coisa alguma que seja mais nobre e mais digna de
devoção do que nosso próximo.
ALEXIS DE TOCQUEVILLE
maus; são medíocres. Há duas pessoas em cada homem,
e se é infantil ver apenas uma, é totalmente triste e injusto
ver apenas a outra.
O homem com seus vícios, suas fraquezas, suas virtudes,
sua confusa mistura de bem e de mal, de baixezas e
elevações, de honestidade e depravação, é ainda, no
todo, o mais digno objeto de investigação, de interesse,
de compaixão, de afeição e de admiração, que se pode
encontrar na Terra.
Como não temos anjos, não podemos apegar-nos a
coisa alguma que seja mais nobre e mais digna de
devoção do que nosso próximo.
ALEXIS DE TOCQUEVILLE
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